Amoras
Naquele tempo a saída para o campo fazia-se cedo, ou porque era inverno e os dias eram mais curtos e tinha que se aproveitar bem o tempo, ou era Verão e o Sol a partir do meio dia tornava o trabalho agrícola mais penoso.
Normalmente, a rega dos campos era feita pelas mulheres, enquanto os homens se ocupavam de trabalhos mais pesado ou nas suas profissões mais técnicas.
As crianças mais pequenas, regra geral, acompanhavam as mães e brincavam ou até dormitavam por perto delas enquanto cuidavam das hortas.
A Maria gostava muito de ir com a mãe ou alguma vizinha para o campo, em especial no Verão, para apanhar amoras e deliciar-se com elas.
Regra geral a mãe ou a vizinha lá faziam o cestinho multi-usos com folha de figueira
ou aboboreira para recolher as amoras.
A Cadinita era uma das vizinhas que lhe proporcionava esse gosto e a mãe lá a deixava ir depois de vestir o seu bibe de folhos bem lavado e engomado, com a recomendação habitual: - não te sujes, Maria!
Um dia, numa dessas saídas, lá foi com a vizinha e enquanto esta tratava também de regar os mimos da sua horta a Maria entreteve-se a fazer aquilo que mais gostava:
-apanhar amoras.
Até aqui, nada de novo. Havia muitas amoras e bem madurinhas. O entusiasmo cresceu perante tal banquete que deu para comer e guardar.
Porém, o passeio complicou-se quando o tal cestinho improvisado foi substituído pelo bolso do bibe onde a nossa amiguinha ia colocando as amoras que, com os movimentos e alguma corridinha de entusiasmo se iam transformando em sumo que escorria deixando uma mancha preta de tinta que dificilmente se extinguiria….!
Bom, o resto não é difícil de adivinhar. De um bom embaraço não se livrou a vizinha quando viu a lástima em que estava a roupa da pequena, sentindo que não tinha sido tão pronta a preparar o recipiente vegetal para apanhar as amoras excedente. Quanto à Maria levou um bom raspanete da mãe que não foi mais longe por respeito e consideração à simpática vizinha.